16.4.10

Real(idade)

Debaixo de estrelas cadentes, ele escrevia versos
Palavras transcendentes que percorriam universos
Era o brilho das estrelas que lhe trazia imaginação
E a luz do luar que à magia dava criação
Paixão era o tema e dispunha da sua cobaia
Falava da sua miúda, não qualquer rabo de saia
Por ela, ele escrevia e escondia-se por baixo da lua
Confessava o que sentia numa realidade nua e crua
Tantas noites solidárias à chuva e ao griso
Quando podia estar com ela e aproveitar o improviso
Ele queria impressioná-la e fazer tudo perfeito
Mas o tempo não pára e nós dançamos a seu jeito
Não o deixes passar, não esperes, desesperes
Não a podes magoar, digas o que disseres
Quando estás apaixonado o ódio são as trevas
Se mentalizares um bocado, tu já não te entregas
Mas não pensaste duas vezes e então a magoaste
E com as esperanças que havia tu acabaste
Ela afasta-se de ti e torna-se ainda mais carente
Quando passava por ti, o olhar era diferente
Pediste-lhe perdão, mas já foi tarde demais
Ela responde: " Tu já não me atrais"
Caiu-me tudo, vagueava na escuridão
Depois do que fiz, voltei à solidão
No pensamento julgava haver mais um sortudo
E quando descobri não passava de um miúdo
O que é que ele tem, que eu não tenho?
Simplesmente não a magoo, será preciso um desenho?!

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